In@Web: Gerador de Websites com Acessibilidade

Resumo
 
A construção de websites com acessibilidade é obrigatória para atender a legislação brasileira vigente, segundo o Decreto Federal nº 5.296 e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência no. 13.146. Entretanto, comumente, a disponibilização destes recursos não é levada em consideração. De acordo com uma pesquisa da World Wide Web Consortium (W3C) em âmbito global, apenas 2% das páginas da web são acessíveis para pessoas com deficiência.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, 45,6 milhões de indivíduos possuem algum tipo de deficiência, isso representa em média 23,9% da população brasileira. Ainda de acordo com o IBGE, o índice de escolaridade de pessoas com deficiência é menor para todas as faixas etárias. Outra razão para elevar ainda mais esta discrepância, pode ser a falta de acessibilidade aos ambientes Web. Uma grande porcentagem deste público são mulheres, que por meio de sites e cursos digitais, podem conseguir formação profissional por meio da acessibilidade digital.
Entre os objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela ONU na sua Agenda 2030, especificamente no de número 4, é necessário garantir a todos igualdade de acesso à educação, acessível e de qualidade, eliminando as dificuldades de igualdade de acesso a todos os níveis de educação para todos os mais vulneráveis. Considerando ainda o atual momento, quando os sistemas educacionais em todo o mundo estão sendo testados devido à pandemia do Covid-19, as tecnologias estão se mostrando uma solução de emergência, sendo um recurso para as pessoas com deficiência.
A proposta deste projeto é de construirmos um Content Management System (CMS) com acessibilidade nativa, tanto para a geração de conteúdo, quanto para a exibição, o que permitiria termos também produtores de conteúdo com deficiência utilizando a ferramenta com total independência.
O projeto se propõe ao desenvolvimento de um CMS para criação de websites acessíveis e diferencia-se dos CMS atuais, como Drupal, Joomla e WordPress,  devido a apresentação de características inovadoras com o desenvolvimento acessível para programadores/pessoas/usuários com deficiência, obrigatoriedade na criação de sites acessíveis (não haverá opção de gerar conteúdo sem acessibilidade), validação realizada por pessoas com deficiência e utilização de inteligência artificial para análise de áudio-descrição em imagens para garantia da coerência da relação texto-imagem.
O CMS denominado In@Web, que tem como significado “Incluído na Web”, a ser construído neste projeto, permitirá que produtores de conteúdo, incluindo as pessoas com deficiência, possam utilizá-lo para criação de seus próprios websites. Atualmente, os CMS disponíveis no mercado permitem que seus usuários criem sites com gerenciadores de conteúdo para serem utilizados por pessoas com deficiência, mas desde que os recursos de acessibilidade sejam intencionalmente implementados. Os CMS disponíveis apresentam os recursos de acessibilidade como opcionais, cabendo ao desenvolvedor implementar as funcionalidades desejadas em seu website. O In@web será uma ferramenta acessível desde o início, contemplando produção e consumo, propiciando maior autonomia até mesmo para os usuários com deficiência criarem seus próprios websites acessíveis.
A equipe de desenvolvimento do In@web contará com validação de pesquisadores e usuários com deficiência em todas etapas, integrantes da equipe de investigadores do Centro de Promoção para a Inclusão Digital, Escolar e Social (CPIDES) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que desde 2010 desenvolve pesquisas na área da Inclusão com novas metodologias e recursos, formação de professores e tecnologia assistiva. Todo o desenvolvimento será rigorosamente testado por softwares e principalmente por pessoas com deficiência. Assim, a validação incluirá testes reais, resultando na criação de um CMS para uma web mais inclusiva, diminuindo as desigualdades sociais e nos ambientes educacionais.
No In@Web será utilizada a inteligência artificial, baseada em algoritmos de Machine Learning para análise dos textos alternativos em imagens nos websites criados. A utilização de textos alternativos é um dos primeiros princípios de acessibilidade web, pois os leitores de tela poderão ler o texto apresentado e que descreve corretamente a imagem para as pessoas com deficiência visual.
Finalmente, considerando que o nosso contexto atual e futuro empregará cada vez mais tecnologias digitais para ensinar em virtude da pandemia de Covid-19, o projeto poderá ajudar quase 1,5 bilhão de estudantes em suas casas, com escolas fechadas em 191 países e 63 milhões de professores da educação básica sendo afetados. Esses dados são fornecidos pela UNESCO e indicam desigualdades globais muito grandes, principalmente em relação as pessoas com deficiência e, para reduzí-las, é necessário encontrar soluções tecnológicas para todas as formas de acesso e de aprendizado, que permitam construir uma cultura inclusiva não só no Brasil, mas em um contexto internacional, uma vez que estará disponível em código aberto.